Afinidades criativas

CREATIVE AFFINITIES

 

Curadoria de / Curated by CAUSAS COMUNS

6 Outubro a 10 Dezembro 2025 / 6 October to 10 December 2025 CENTRO CULTURAL DE BELÉM


Sinopse

Oito semanas, oito encontros. Um ciclo de oficinas com artistas e estruturas convidadas, dedicado à partilha de processos criativos nas artes performativas. Entre perguntas, práticas e dúvidas, este ciclo propõe-se como um espaço de reflexão, afecto e contágio entre pares e públicos.

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Descobrimos quem somos a partir do que fazemos? Fazemos o que fazemos para descobrir alguma coisa? Talvez o fazer seja algo que nos aconteça, mas o que está por detrás desse acontecimento? O que é esse acontecimento do fazer nas artes performativas? 

Até onde conseguimos aceder e queremos partilhar desse súbito escancarar de portas, do redemoinho do vento e do chão a fugir debaixo dos pés? Ou, eventualmente, da melancolia desse mergulho no escuro, num outro espaço-tempo que reclama ser ouvido sem outras testemunhas.

Talvez seja a crescente apetência por modelos societários de cariz autocrático que nos está a relembrar a necessidade de nos reunirmos. Despertar e enaltecer a imaginação, o colectivo, o poder criativo da diversidade e a cooperação.

E talvez a singularidade, e a fragilidade, da nossa ocupação artística possa ser empoderada por meio desta partilha, entre pares mas também aberta ao resto do mundo. Partilha de léxicos, recursos, metodologias, inquietações, prioridades, e porventura do que não vemos ainda mas que seremos capazes de ver se deixarmos que os nossos olhos se habituem à escuridão.

Curadoria Causas Comuns Com Gaya de Medeiros, Flávia Gusmão, David Marques, Teresa Coutinho, Teatro da Cidade, Aurora Negra, Os Possessos e Má Criação  Desenho cartaz  Pedro Saúde Produção executiva Beatriz Cuba Co-produção Causas Comuns, Fundação Centro Cultural de Belém.

Synopsis

Eight weeks, eight meetings.A cycle of workshops with invited artists and structures, to share creative processes in the performing arts. Between questions, practices and doubts, this cycle proposes a space for reflection, affection and contamination between peers and audiences.

Do we discover who we are from what we do? Do we do what we do to discover something? Perhaps doing is something that happens to us, but what lies behind this happening? What is this happening of doing in the performing arts? 

How far can we go and what do we want to share about this sudden opening of doors, the whirlwind and the ground slipping away beneath our feet? Or, eventually, about the melancholy of this plunge into the dark, into another space-time that demands to be heard without other witnesses.

Perhaps it is the growing appetite for autocratic societal models that is reminding us of the need to come together. To awaken and celebrate imagination, the collective, the creative power of diversity and cooperation.

And perhaps the uniqueness and fragility of our artistic occupation may be empowered through this sharing, among peers but also open to the rest of the world. Sharing lexicons, resources, methodologies, concerns, priorities, and eventually what we cannot yet see but will be able to see if we let our eyes adjust to the darkness.

Curator Causas Comuns With Gaya de Medeiros, Flávia Gusmão, David Marques, Teresa Coutinho, Teatro da Cidade, Aurora Negra, Os Possessos e Má Criação  Poster design  Pedro Saúde Executive production Beatriz Cuba Co-production Causas Comuns, Fundação Centro Cultural de Belém.

Gaya de medeiros

Este workshop baseia-se num conjunto de práticas que têm ajudado a bailarina e coreógrafa Gaya de Medeiros a fazer algumas perguntas sobre preparação física/autocuidado, sobre as possibilidades de relação com o público e sobre estratégias dramatúrgicas na abordagem de temáticas autobiográficas e identitárias. O workshop pretende ser um espaço de troca, de desafio individual/colectivo e de vulnerabilidade. Nestes encontros, partilharemos momentos de escrita, de prática e de conversa, de forma a pensar, de forma crítica e generosa, quem podemos ser no ato performativo.

fLÁVIA GUSMÃO

O foco destes encontros reside na partilha de processos de trabalho relacionados sobretudo com a ideia de biografia em cena, teatro e comunidade, site specific e trabalho colaborativo.

DAVID MARQUES

Nestes encontros, David Marques procura articular as suas diferentes experiências como artista da dança – na criação, interpretação, pedagogia e curadoria –, partilhando as motivações e as condições que favorecem a sua prática artística, metodologias de trabalho consolidadas e em experimentação, e posicionamentos ético-estéticos. O grupo é convidado a participar de forma ativa nestas sessões, em que algumas ideias, como autoficção, enunciação, mistério e paradoxo, terão particular importância.

TERESA COUTINHO

Estar em cena é ver e dar a ver. Todas as vezes que se entra em cena, entra-se de forma diferente. É na tensão entre repetição e risco, entre escuta e reação, entre biografia e ficção que se manifesta, com maior intensidade, a especificidade criativa de cada artista. Neste workshop de interpretação, procurar-se-á trabalhar e pensar a cena com as/os intérpretes, exercitando a sua relação com o momento presente, sem excluir nada: corpo, palavra, espaço, público, memória, emoção, imaginação, biografia. Cada intérprete terá, entre outros estímulos, um pequeno texto para trabalhar, escrito entre si e a orientadora, resultado do primeiro dia de laboratório.

TEATRO DA CIDADE

A presente oficina, dirigida pelo colectivo Teatro da Cidade, propõe-se como um espaço de experimentação e criação teatral. Partindoda premissa «coletivo como motor do processo artístico», a oficina pretende o desenvolvimento de um trabalho conjunto que atravessa várias etapas fundamentais da criação: da escrita textual à reflexão dramatúrgica, culminando numa abordagem partilhada da encenação. Este percurso metodológico assenta na partilha de ferramentas e práticas desenvolvidas pelos criadores do Teatro da Cidade, promovendo a interrogação crítica em torno de questões da criação artística contemporânea: como se cria em colectivo? Como nasce um espectáculo? E por que razão o fazemos? Trata-se, pois, de uma oficina onde o fazer teatral é entendido como acto comunitário, espaço de escuta e construção conjunta, convocando os participantes para um exercício de co-autoria e corresponsabilidade estética e ética.

AURORA NEGRA

Mais do que nunca, o agora. Habitamos o entre-lugar, esse espaço de fricções, atravessamentos e raízes múltiplas e reconhecemos que é nesse território fértil que a identidade se constrói e reconstrói. Este encontro é um convite à escuta do corpo, à evocação da ancestralidade, à celebração da memória e à criação de futuros possíveis. Queremos questionar, lembrar, sonhar e celebrar. Permitir que o passado, presente e futuro dialoguem sem limites nem constrangimentos. Um quilombo onde a prática artística se cruza com o gesto ritual, a palavra com o silêncio, o corpo com a utopia. Um convite à investigação poética e política que não ignora o espaço e tempo que habita.

OS POSSESSOS

Em Afinidades Criativas, Os Possessos pretendem partilhar o seu método de trabalho, cuja organização interna tem por base a rotatividade da direcção dos diferentes projectos pelos cinco membros da companhia. Paralelamente, irão apresentar-se os processos criativos dos espectáculos dos últimos anos, com foco sobre questões de dramaturgia e de encenação, bem como dos desafios de produção que cada projecto enfrenta.

MÁ CRIAÇÃO

Antes de começar a caminhar, não sabemos onde queremos chegar. Sabemos, isto sim, que queremos estar em movimento, disponíveis para aquilo que o estar em movimento nos proporciona: a mudança de perspetiva, os encontros inesperados, os tropeços, os desvios, os desertos e os oásis. Sabemos que estar acompanhado neste caminho é muito importante. E sabemos pouca coisa mais. Certezas temos poucas. Mas as dúvidas que trazemos são para partilhar com todos. Este é um processo que parte da experimentação em estúdio como base para a pré-criação, recusando fixar-se dentro de uma fórmula determinada, descobrindo em conjunto o que temos a dizer, o que podemos fazer. Um processo activo e acivador, que se afirma como trânsito e não como resultado, como produção e não como produto.